Livros e DVD
- Eneagrama

O legado de Georges Ivanovitch Gurdjieff
(o homem que trouxe o Eneagrama para o Ocidente)
Hoje em dia podemos afirmar que Georges Ivanovitch Gurdjieff
(1872-1949), criador do sistema de desenvolvimento humano
conhecido internacionalmente como Quarto Caminho, foi um dos
mais notáveis transpessoalistas modernos. Sua obra
que, como alguém acertadamente escreveu, somente por
ignorância é colocada nas prateleiras das chamadas
"obras esotéricas" (as quais ele sempre desprezou,
advertindo sobre seus perigos e extravagâncias), se
mostra, a cada ano que passa, mais atual e exata. Os livros
que ele escreveu guardam, para quem os estuda, reflete e pratica,
preciosos tesouros frutos de uma das sínteses mais
importantes do conhecimento psicofilosófico do Oriente
e do Ocidente. Não vou fazer aqui um resumo da sua
biografia, nem escrever sobre o que já está
escrito em centenas de livros e comentários, alguns
dos quais traduzidos para o português e que cito na
bibliografia. O legado de G. I. Gurdjieff é hoje um
dos mais importantes, especialmente neste momento em que a
humanidade precisa dar um "salto quântico"
no seu desenvolvimento como espécie. Foi ele quem trouxe
ao conhecimento do Ocidente, há mais de 80 anos, a
existência do Eneagrama, milenar símbolo-síntese
criado por sábios de uma época esquecida na
qual as ciências exatas e a "psicologia da possível
evolução humana", como a chamava Piotr
Demianovich Ouspensky, um de seus mais notáveis discípulos,
estavam ligadas. Quem deseje conhecer sobre sua filosofia,
poderá estabelecer contato com o nosso Instituto, o
IDHI®, no Rio de Janeiro, e/ou pesquisar via Internet
sobre outros grupos de trabalho de Quarto Caminho no Brasil
e no mundo.
Gurdjieff foi um profundo conhecedor das psicofilosofias
e tradições antigas, e teve acesso, através
de uma misteriosa ordem secreta chamada Sarmung, aos –
como escreveu P. D. Ouspensky – "fragmentos de
um ensinamento desconhecido", cujas origens se perdem
na noite dos tempos e se ligam com a extraordinária
cultura sumério-babilônica, hoje reconhecida
pelos historiadores como uma das mais avançadas da
antigüidade em termos culturais e científicos.
Atualmente seus ensinamentos poderiam ser tratados com um
"espírito científico", já que
estamos em condições culturais de completar
– para benefício da nossa espécie e graças
aos níveis de conhecimento e comunicação
que temos atingido nos campos das ciências humanas e
exatas – esse "quebra-cabeça" do conhecimento
humano, do qual ele nos deixou tantos e valiosos "fragmentos".
Com efeito, Gurdjieff afirmava que existiu, num remoto passado,
um "Grande Conhecimento", do qual faziam parte todas
as ciências, artes e filosofias e de cuja existência
pouco ficou registrado na história escrita da humanidade.
O Eneagrama é parte desse "Grande Conhecimento"
que unificava todas as coisas.
Com o intuito de promover maiores níveis de consciência
entre os seres humanos e tendo como objetivo incentivar "a
unidade de todas as coisas", Gurdjieff fundou na França,
em 1922, o Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do
Ser Humano, através do qual atualizou parte desses
antigos ensinamentos. Sua obra atraiu importantes personagens
de todas as áreas do conhecimento humano, muitos dos
quais inspirados pelos ensinamentos que revelou de uma forma
incomum, os incorporaram às suas áreas de atuação
profissional com excelentes resultados. Seu trabalho foi pioneiro
no sentido de demonstrar objetivamente que existem níveis
de consciência passíveis de serem desenvolvidos
mediante práticas exatas. Muitos anos antes que se
falasse sobre temas como "ecologia", "psicossomática",
"relatividade", "inteligência emocional",
"holismo", "psicologia transpessoal" e
outros assuntos que hoje se abordam cada vez com mais facilidade
e objetividade, graças aos avanços das ciências,
Gurdjieff já os tratava com uma profundidade que se
mostra cada vez mais exata e completa.
Tive o privilégio de conhecer sua proposta e o Eneagrama
há mais de 20 anos, no Chile, através de pessoas
muito especiais que desejam permanecer no anonimato.
Desde então, nunca parei de pesquisar, trabalhar e
difundir o legado deste homem notável que provocou
tantas descobertas direta ou indiretamente.
Com o objetivo de dar um enfoque mais abrangente das idéias
de Gurdjieff e de outras linhas filosóficas do Oriente,
que tive a oportunidade de aprender desde os 15 anos de idade,
entre elas o Budismo (sistema psicofilosófico pelo
qual Gurdjieff tinha uma especial empatia), Vedanta Advaita
(uma das principais linhas filosóficas tradicionais
da Índia) e Hermetismo (sistema filosófico muito
antigo, especialmente difundido na Europa durante a Idade
Média e cujas origens estão relacionadas com
as lendas de Thot-Hermes), fundei em 1986 o Instituto para
o Desenvolvimento Humano Integral, IDHI®, no Chile. Após
6 anos (1992), o refundei aqui no Brasil com o apoio dos meus
primeiros alunos brasileiros
Devo advertir que o Eneagrama não tem qualquer relação
com astrologia, numerologia, ou com qualquer outra prática
conhecida, cujas validade e objetividade científica
não me cabe julgar. O Eneagrama também não
está atrelado a qualquer "tradição
mística" nem é "propriedade"
de qualquer escola ou instituição conhecida
na atualidade. Sua natureza em termos de exatidão e
objetividade é única, e já se estão
fazendo pesquisas empíricas sobre ele nos Estados Unidos.
Nas últimas décadas, o trabalho de Gurdjieff
sofreu ataques de setores interessados em provocar o "esquecimento"
da sua obra, assim como em diminuir sua importância
especialmente no que se refere aos seus conhecimentos sobre
o Eneagrama. Não me parece estranho que se tenha combatido
tanto o "sistema" de Gurdjieff nem que se tenham
feito tantos esforços para desacreditá-lo, porque
estas são as maneiras mais comuns de se tratar os grandes
mestres e gênios. Esses mesmos setores não podem
evitar que os ensinamentos de Gurdjieff se tornem cada vez
mais conhecidos e aplicados em diversos campos da atividade
humana e no mundo todo. Um desses setores tentou – e
ainda tenta – provar que Gurdjieff não teria
ensinado as aplicações psicológicas do
Eneagrama. Porém uma análise fria e serena da
sua obra pode demonstrar que ele não somente conhecia
suas aplicações psicológicas profundamente,
como também as utilizava para explicar outros fenômenos
universais com total mestria, como o demonstra nos seus Relatos
de Belzebu a seu neto, obra ainda não traduzida para
o português. Tento demonstrar este fato na presente
obra introdutória ao tema.
É importante advertir também que ninguém
pode se atribuir a "invenção" do Eneagrama
como ferramenta de desenvolvimento humano. Do mesmo modo que
dizemos que Pitágoras "criou " "seu"
famoso teorema e ficamos muito tranqüilos sem perceber
que estamos demonstrando uma tremenda ignorância, já
que ele não criou esse teorema, apenas o "herdou"
de pessoas que sabiam e o tinham conservado (dados sobre esse
teorema existem na China muito antes de Pitágoras existir),
assim também acontece com o Eneagrama cujos verdadeiros
criadores são desconhecidos, calculando-se que exista,
segundo J. G. Bennet, há uns 4. 500 anos ou mais*.
* J. G. Bennet, foi um notável discípulo
de Gurdjieff nos Estados Unidos. Escreveu várias obras
sobre o Quarto Caminho e uma sobre o Eneagrama, publicada
no Brasil pela Editora Pensamento sob o
título: O Eneagrama: Um estudo pormenorizado do Eneagrama
usado por Gurdjieff.
Pela mesma razão, é importante cuidar para
que este "patrimônio" científico-cultural
da humanidade não seja "propriedade intelectual"
de ninguém e sim um meio de desenvolvimento e unificação
das ciências, artes e filosofias. Por esta razão,
fico à disposição das faculdades de ciências
humanas, filosofia e psicologia para entregar o resultado
da minha experiência com estes conhecimentos a fim de
que venham a ser estudados empiricamente para benefício
de todos e das futuras gerações.
Não posso deixar de mencionar aqui a importância
da atualização e sistematização
do Eneagrama feita pelo sábio boliviano, Dr. Oscar
Ichazo, e alguns de seus discípulos, dentre eles o
prestigiado psiquiatra e escritor chileno, Dr. Claudio Naranjo.
Foi a partir do notável trabalho de pesquisa e das
descobertas de Ichazo que muitos outros pesquisadores e estudiosos
iniciariam importantes estudos sobre o tema. Algumas dessas
obras estão traduzidas para o português e são
citadas na bibliografia complementar. Sobre o Instituto Arica®
e a organização conhecida como Metacultura Internacional,
que divulgam o trabalho de Ichazo, sugiro pesquisar suas propostas
e métodos, caso haja interesse.
Gostaria, antes de começar, de transcrever aqui algumas
palavras de P. D. Ouspensky com as quais me identifico plenamente
e que foram ditas por ele no início de uma série
de palestras sobre o sistema do Quarto Caminho, as quais ficaram
reunidas num volume que leva o mesmo título. Ele declarou:
"Antes de começar a explicar-lhes de um modo
geral sobre o que trata este sistema, e de falar sobre nossos
métodos, quero gravar particularmente nas suas mentes
que as idéias e princípios mais importantes
do sistema não me pertencem. Isto é o que os
faz valiosos, porque, se me pertencessem, seriam como todas
as outras teorias inventadas pelas mentes correntes: somente
dariam uma visão subjetiva das coisas." Espero
que o leitor não se esqueça deste importante
esclarecimento.
ALGO SOBRE O VALOR OBJETIVO E CERTOS SÍMBOLOS
E AS ORIGENS DO ENEAGRAMA SEGUNDO G. I. GURDJIEFF
No Capítulo XIV de Fragmentos de um ensinamento desconhecido,
Piotr Demianovich Ouspensky revela, baseado em sua notável
memória e em notas tomadas durante encontros com Gurdjieff,
as origens do Eneagrama. Vou tentar sintetizar ao máximo
o texto, citando apenas o necessário para o objetivo
desta obra.
Primeiro, Ouspensky nos lembra que Gurdjieff costumava falar
de uma "Ciência Objetiva" que não se
baseava nos dados e experiências produtos de "estados
subjetivos de consciência" e que teria existido
na terra há milhares de anos*. Esta "Ciência
Objetiva" teria como uma de suas idéias centrais
"a unidade de todas as coisas, a unidade na diversidade".
Os sábios que compreenderam a importância e profundidade
destas idéias, perceberam que a transmissão
e conservação das descobertas da "Ciência
Objetiva" implicavam um grande esforço de síntese
para conseguir preservá-las e transmiti-las às
novas gerações. Pensaram, então, num
meio exato para atingir esse importante objetivo. Descobrir
esse meio deu, com certeza, muito trabalho a estes sábios,
porque a " ciência objetiva, inclusive a idéia
de unidade, só pertence à consciência
objetiva", nível no qual a realidade é
observada tal qual ela é e que, obviamente, não
é um estado habitual entre nós.
Gurdjieff ensinava que o nosso estado habitual de consciência
é subjetivo e que, na maior parte de nossa existência,
ou em toda ela, vivemos num estado de "consciência
subjetiva" na qual é impossível "observar"
e muito menos "sentir" a realidade tal qual ela
é. Assim sendo, resulta quase impossível perceber
essa "unidade de todas as coisas", quando se está
habituado a acreditar num "mundo fragmentado" e
dividido em "milhões de fenômenos separados
e sem ligação", ainda que intelectualmente
até "entendamos" que algo unifica tudo. Sabemos
que, com efeito, o fato de não compreendermos a "unidade
de todas as coisas" e "a unidade na diversidade",
é uma das causas principais da deterioração
perigosa que temos provocado no equilíbrio ecológico
do planeta, é a razão dos ódios raciais,
a causa das injustiças sociais, etc., etc., etc.
Cientes destas nossas limitações, estes sábios
decidiram que o único meio de transmitir seus conhecimentos
objetivos era utilizando, entre outros recursos, símbolos
especiais, que conteriam, numa síntese matemático-psicológica
exata, os principais dados dessa "Ciência Objetiva".
Esses dados poderiam ser resgatados no futuro, graças
a existência em nós, seres humanos, de certos
"centros superiores" nos níveis intelectual
e emocional, os quais possuem potencialmente todas as possibilidades
de compreendê-los por estarem ligados à "consciência
objetiva". Graças ao fato de estes símbolos
serem matematicamente exatos, não poderiam ser "subjetivizados"
e, como requerem para sua compreensão a manifestação
de níveis de consciência mais objetivos, não
poderiam ser utilizados plenamente por seres nos quais esses
níveis de consciência não estivessem devidamente
atualizados. Porém, nos níveis de consciência
subjetiva, alguns "dados básicos" poderiam
ser estudados e, quando devidamente compreendidos, colaborariam
para a obtenção dos níveis superiores
de consciência.
Inspirado nesses e outros dados e nos Relatos de Belzebu
a seu neto, escrevi uma obra de fiçcão que trata,
dentre outras coisas, da possibilidade de ter existido na
Terra uma civilização muito avançada
em termos de conhecimentos científicos e tecnológicos,
que teria desaparecido por causa de vários fatores.
Entre esses fatores, alguns que deveríamos considerar
de novo na atualidade. Esta obra será publicada em
breve.
Os símbolos aos quais se referia Gurdjieff, "continham
os diagramas das leis fundamentais do universo e transmitiam
não só a própria ciência, mas mostravam
igualmente o caminho para chegar a ela. O estudo dos símbolos,
de sua estrutura e significação, era parte muito
importante na preparação, sem a qual não
é possível receber a ciência objetiva,
e era uma prova de porque uma compreensão literal ou
formal dos símbolos se opõe à aquisição
de qualquer conhecimento ulterior.
Os símbolos eram divididos em fundamentais e secundários;
os primeiros compreendiam os princípios dos diferentes
ramos da ciência; os segundos exprimiam a natureza essencial
dos fenômenos em sua relação com a unidade".
Entre as leis fundamentais sintetizadas nesses símbolos
que "exprimiam a natureza essencial dos fenômenos
em sua relação com a unidade", duas são
de fundamental importância para compreender os ensinamentos
de Gurdjieff: a "Lei de Três" e a "Lei
de Sete", conhecida também como "Lei de Oitava":
"As leis fundamentais das tríades e das oitavas
penetram todas as coisas e devem ser estudadas simultaneamente
no homem e no universo", ensina Gurdjieff.
Porém, devido ao fato de existir num nível
de consciência subjetiva, o homem precisa primeiro iniciar
o estudo dessas duas leis em si mesmo, para depois compreender
suas manifestações universais:
"Mas o homem é, para si mesmo, um objeto de estudo
e de ciência mais próximo e mais acessível
que o mundo dos fenômenos que lhe são exteriores.
Por conseguinte, esforçando-se por atingir o conhecimento
do universo, o homem deverá começar por estudar
em si mesmo as leis fundamentais do universo."
Por outro lado, o conhecimento dos símbolos e das
leis fundamentais que eles guardam não pode ser apenas
"teórico", já que, nesse nível,
os símbolos ainda estão sujeitos a interpretações
errôneas devido à subjetividade consciencial.
Daí que, para compreendê-los profundamente, deve-se
atingir um nível no qual as considerações
subjetivas que provocam discussões e contradições
sejam superadas completamente, o que exige um profundo conhecimento
de si mesmo, único modo de compreender as leis fundamentais
do universo, ou seja: "(...) a verdadeira compreensão
dos símbolos não pode prestar-se a discussões".
Para quem pretende atingir esse nível de compreensão,
Gurdjieff adverte:
"(...) se alguém imagina poder seguir o caminho
do conhecimento de si, guiado por uma ciência exata
de todos os detalhes, ou se espera adquirir tal ciência
antes de se ter dado o trabalho de assimilar as diretrizes
que recebeu, no que concerne a seu próprio trabalho,
engana-se; deve compreender, antes de tudo, que nunca chegará
à ciência (objetiva) antes de ter feito os esforços
necessários e que somente seu trabalho sobre si mesmo
permitirá atingir o que busca. Ninguém lhe poderá
dar o que ele ainda não possui; nunca ninguém
poderá fazer por ele o trabalho que ele deveria fazer
por si mesmo. Tudo o que outro pode fazer por ele é
estimulá-lo a trabalhar e, desse ponto de vista, o
símbolo compreendido como deve ser, desempenha o papel
de um estimulante em relação à nossa
ciência (objetiva)".
A advertência de Gurdjieff mostra-se claramente necessária,
já que, nos nossos dias e apesar de todos os nossos
avanços e conhecimentos "teóricos",
ainda não compreendemos a importância de "leis
básicas" como a de "causa e efeito",
por exemplo, pois, se as compreendêssemos, primeiro
em relação a nós mesmos e, em seguida,
em relação à natureza da qual somos parte,
concluiríamos, sem ter que discutir e sem "subjetividades"
de nenhuma espécie, que uma série de erros simplesmente
não poderia ser cometida sob nenhum aspecto, se as
aplicássemos "objetivamente". Porém
a maioria não tem consciência de que muitos "efeitos"
indesejáveis e negativos só existem porque não
somos conscientes dos nossos atos, ou seja, não "compreendemos"
o que essa lei de "causa e efeito" implica, ainda
que sejamos capazes de "decorá-la" quando
passamos pelo colégio. Também vemos que essa
falta de "compreensão" acontece inclusive
em relação a signos simples, que são
meios de expressar certos dados menos profundos que os contidos
nos símbolos, porém não menos importantes
na prática. Assim, por exemplo, um sujeito pode "aprender",
através do regulamento do trânsito, que um cartaz
ou painel de fundo amarelo com a figura em cor preta de uma
criança que carrega livros significa: "atenção-diminua-a-velocidade-do-seu-carro-porque-você-está-passando-por-um-local-próximo
-a-uma-escola-e-crianças-menos-responsáveis-que-você-que-é-adulto-estão-por-perto,
etc, etc." Porém, o fato de este sujeito "aprender"
a "interpretar" esse "sinal de trânsito",
internacionalmente aceito, não implica necessariamente
que compreendeu a necessidade de obedecê-lo, e pode
vir a atropelar uma ou várias crianças que,
"acidentalmente", estejam perto da dita escola no
dia em que ele não respeite esse "signo".
O "estímulo" para a compreensão foi
dado, porém não foi "vivenciado" pelo
sujeito que o recebeu.
Voltemos ao assunto dos símbolos e das chamadas "leis
fundamentais". Gurdjieff afirma, em outra parte do Capítulo
XIV da citada obra de Ouspensky, que: "a lei de oitava
conecta todos os processos do universo e, para aquele que
conhece as oitavas de transição e as leis de
sua estrutura (ou seja, a Lei de Três e a Lei de Sete),
surge a possibilidade de um conhecimento exato de cada coisa
ou de cada fenômeno em sua natureza essencial, bem como
de todas as suas relações com as outras coisas
e com os outros fenômenos".
Então nos revela que, "para unir, para integrar
todos os conhecimentos relativos `a lei da estrutura da oitava,
existe um símbolo que toma a forma de um círculo
cuja circunferência se divide em nove partes iguais,
mediante pontos ligados entre si, numa certa ordem, por nove
linhas". Ou seja, o Eneagrama.
Os sábios que deram origem a este símbolo-síntese
não pertenciam, ensina Gurdjieff, a nenhuma das linhas
de conhecimento "tradicional" conhecidas na atualidade:
nem hebraica, nem egípcia, nem iraniana, nem hindu,
nem qualquer outra conhecida. A despeito de respeitáveis
tradições desejarem ser os "pais da criança",
como se diz aqui no Brasil, este símbolo "não
poderia ser encontrado em nenhum de seus livros", e,
embora se atribua o Eneagrama aos respeitáveis místicos
sufis e suas tradições orais, por exemplo, Gurdjieff
sustenta que este símbolo "não é
objeto de uma tradição oral".
Quando discute as origens do Eneagrama Gurdjieff ensina:
"O ensinamento, cuja teoria expomos aqui, é completamente
autônomo, independente de todos os outros caminhos e,
até hoje [ou seja, até a data em que Gurdjieff
o revelou aos seus discípulos], tinha permanecido inteiramente
desconhecido. Como outros ensinamentos, utiliza o método
simbólico e um de seus símbolos principais é
a figura que mencionamos, isto é, o círculo
dividido em nove partes." (O itálico nas citações
é meu.)
Observe que Gurdjieff está se referindo a um sistema
de conhecimento a que ele teve acesso e no qual o Eneagrama
é um, somente um, dos símbolos principais, o
que significa que nesse sistema existem, ou existiam, mais
símbolos, alguns dos quais Gurdjieff revelou indiretamente
através das suas exatas "Danças Conscientes",
que você pode apreciar no filme baseado em sua obra
autobiográfica "Encontros com homens notáveis",
dirigido por Peter Brook e lançado no Brasil com o
mesmo título.
A descrição que Gurdjieff faz do Eneagrama
nesse mesmo capítulo é a seguinte (a Editora
Pensamento vai ter que se preparar para vender várias
cópias do livro de Ouspensky. Com certeza você
vai querer ler o Capítulo XIV de Fragmentos de um ensinamento
desconhecido completo, não?):
Este símbolo toma forma seguinte:
Figura 1
"O Círculo está dividido em nove partes
iguais. A figura construída sobre seis desses pontos
tem por eixo de simetria o diâmetro que desce do ponto
superior. Esse ponto é o vértice de um triângulo
equilátero construído sobre aqueles pontos,
dentre os nove, que estão situados fora da primeira
figura."
Como assinalei há pouco, este símbolo, diz
Gurdjieff, "exprime a Lei de Sete em sua união
com a Lei de Três", e é "uma expressão
perfeita da Lei de Oitava"*.
Ampliando suas explicações matemáticas
sobre este símbolo, Gurdjieff diz:
"As leis da unidade refletem-se em todos os fenômenos.
O sistema decimal foi construído sobre as mesmas leis.
Se tomarmos uma unidade como uma nota que contém em
si mesma uma oitava inteira, devemos dividir essa unidade
em sete partes desiguais correspondentes às sete notas
dessa oitava. Mas, na representação gráfica,
a desigualdade de partes não é levada em consideração
e, para a construção do diagrama, toma-se primeiro
um sétimo, depois dois sétimos, depois três,
quatro, cinco, seis e sete sétimos. Se calcularmos
as partes decimais, obteremos:
1/7 = 0, 142857...
2/7 = 0, 285714...
3/7 = 0, 428571...
4/7 = 0, 571428...
5/7 = 0, 714285...
6/7 = 0, 857142...
7/7 = 0, 999999..."
Você pode observar que, com exceção da
última dízima periódica, em todas as
restantes "encontram-se presentes os mesmos seis algarismos,
que trocam de lugar segundo uma seqüência definida;
de tal modo que, quando se conhece o primeiro algarismo do
período, torna-se possível reconstruir o período
inteiro". Você também observou que nesses
períodos "os números 3, 6 e 9 não
estão incluídos (...) [porque eles] formam o
triângulo separado – a trindade livre do símbolo".
Se você leitor prestou atenção à
seqüência definida segundo a qual os algarismos
trocam seus lugares, está em condições
de compreender o "movimento" que este símbolo
representa, e que se conhece como "movimento eneagramático
externo" e se expressa por "setas" que indicam
a direção desse "movimento" contínuo:
1 ® 4 ® 2 ® 8 ® 5 ® 7 ® 1 ® 4
®, e assim por diante.
Figura 2
Aqui o triângulo eqüilátero é considerado
como uma "unidade" e os 6 "pontos" (1,
4, 2, 8, 5 e 7) lembram a "Lei de Sete" ou "Lei
de Oitava" (6 + 1 = 7).
Os números 3, 6 e 9 ficam nos vértices do triângulo
e seu "movimento", conhecido como "interno",
é: 9 ® 6 ® 3 ® 9 ® 6 ® 3, etc.
e são indicados com as "setas" correspondentes:
Figura 3
Estas indicações preliminares serão importantes
quando considerarmos os Tipos Eneagramáticos e seus
movimentos psicológicos contra e/ou a favor da seta
de acordo com seu "Traço ou Defeito Principal".
Ouspensky deixou registrado também que "Gurdjieff
voltou ao Eneagrama em múltiplas ocasiões".
Numa dessas ocasiões revelou que: "(...) é
necessário compreender que o Eneagrama é um
símbolo universal. Qualquer ciência tem seu lugar
no Eneagrama e pode ser interpretada graças a ele.
E, sob este aspecto, é possível dizer que um
homem só conhece realmente, isto é, só
compreende aquilo que é capaz de situar no Eneagrama.
O que não é capaz de situar no Eneagrama, não
compreende. (....) Se um homem isolado no deserto traçasse
o Eneagrama na areia, nele poderia ler as leis eternas do
universo. E cada vez aprenderia alguma coisa nova, alguma
coisa que ignorava até então."
E mais: "(...) O Eneagrama é o movimento perpétuo,
é esse perpetuum mobile que os homens buscaram desde
a mais remota antigüidade, sempre em vão. E não
é difícil compreender por que não podiam
encontrá-lo. Buscavam fora de si o que estava dentro
deles (...) A compreensão desse símbolo e a
capacidade de utilizá-lo dão ao homem um poder
muito grande (...)."
Gurdjieff também diz: "(...) A ciência
do Eneagrama foi mantida secreta durante muito tempo e, se
agora, de certo modo, está sendo tornada acessível
a todos, é apenas sob uma forma incompleta e teórica,
praticamente inutilizável para quem não tenha
sido instruído nessa ciência por um homem que
a possua. Para ser compreendido, o Eneagrama deve ser pensado
como em movimento, como se movendo. Um Eneagrama fixo é
um símbolo morto; o símbolo vivo está
em movimento."
Um dos "movimentos" do Eneagrama tem relação
com os aspectos dinâmico-psicológicos que diferenciam
os seres humanos uns dos outros como já foi mostrado.
É sobre esse "movimento" que tratamos neste
livro à luz dos ensinamentos de Gurdjieff.
A APLICAÇÃO PSICOLÓGICA DO ENEAGRAMA
NOS ENSINAMENTOS DE GURDJIEFF
OS TRÊS CENTROS BÁSICOS: Como profundo conhecedor
do Eneagrama, G. I. Gurdjieff baseou todo o seu método
de desenvolvimento humano na aplicação deste
símbolo milenar e nas leis das quais ele é a
síntese: a "Lei de Sete" e a "Lei de
Três".
Baseado na "Lei de Três" presente no Eneagrama,
ele dividia o ser humano, para facilitar o estudo e a compreensão
de si mesmo, em três níveis ou "centros"
básicos: Centro Intelectual, Centro Emocional e Centro
Motor. Como lembra Ouspensky, "tentava inicialmente ensinar-nos
a distinguir essas funções, a encontrar exemplos
e assim por diante".
No Eneagrama esses "centros" têm a seguinte
localização:
Figura 4
Você pode observar como, para cada centro, existem
uma manifestação eneagramática "tripla"
e um correspondente vértice do triângulo central.
Figura 5
Relação dos Centros com a Bilateralidade Cerebral.
Descobri que no Eneagrama devemos observar o ser humano ao
contrário: no Centro Físico ou do Movimento,
estão os pés; no Centro Intelectual, a mão
esquerda; e no Centro Emocional a mão direita. Por
último, nos Pontos 4 e 5 devemos imaginar a cabeça
e os hemisférios cerebrais: no Ponto 5 o hemisfério
cerebral esquerdo e no Ponto 4 o hemisfério cerebral
direito. De acordo com o princípio de bilateralidade
cerebral o hemisfério cerebral esquerdo rege o lado
direito do ser humano (Centro Emocional) e o hemisfério
cerebral direito rege o lado esquerdo do ser humano. Daí
a importância do desenvolvimento harmonioso dos três
Centros, já que uma das questões mais descuidadas
na educação é a do desenvolvimento do
hemisfério cerebral direito relacionado com o Centro
Emocional no Eneagrama e uma supervalorização
do hemisfério cerebral esquerdo ligado ao Centro Intelectual
no Eneagrama. Isso explica a importância que Gurdjieff
dava ao desenvolvimento de todos os Centros como única
maneira de formar um ser humano mais harmonioso.
Centro Emocional são 2, 3 e 4; e, finalmente, os associados
ao Centro Intelectual são 5, 6 e 7.
A localização dos centros como se vê
no gráfico não é aleatória. Obedece
a uma ordem exata, revelada por Gurdjieff a seus alunos e
que foi preservada por Ouspensky no Capítulo IX da
obra citada. Não tratarei deste tema aqui por sua complexidade
e porque só costumo falar sobre ele com quem já
tem um certo tempo Os números associados ao Centro
Motor são: 8, 9 e 1; os associados ao de prática
com o Eneagrama.
Esta primeira divisão é muito importante, já
que, compreendendo-a, é possível apreender uma
segunda divisão de Gurdjieff, maior, mas pouco conhecida,
cujo profundo valor sequer se suspeita, tendo a maioria se
limitado a repetir o que Ouspensky escreveu a respeito. Refiro-me
aos Três Grupos de Seres Humanos Básicos e aos
Quatro Grupos de Seres Humanos que correspondem a níveis
superiores de evolução consciente. Note-se que
novamente estão presentes aqui as Leis de Três
e de Sete. Vejamos.
OS TRÊS GRUPOS DE SERES HUMANOS BÁSICOS
E OS QUATRO GRUPOS SUPERIORES DE SERES HUMANOS SEGUNDO G.
I. GURDJIEFF
Gurdjieff ensinava que existem Três Grupos de Seres
Humanos Básicos, os de "Homens número Um";
"Homens número Dois" e "Homens número
Três", que não devemos confundir com os
números dos Tipos Eneagramáticos e seus Traços
Principais.
Para eles os Grupos de Seres Humanos "Um, Dois e Três
constituem a humanidade mecânica; permanecem no nível
em que nasceram". Só poderiam ascender a um nível
superior de consciência mediante um trabalho perseverante
que objetivasse a evolução individual, através
de escolas conectadas com o que Gurdjieff chamava de o "Círculo
Consciente da Humanidade".
Os seres humanos do Grupo número Um correspondem no
"Eneagrama dos Traços Principais" aos Tipos
8, 9 e 1 e, segundo Gurdjieff, teriam o "centro de gravidade
de sua vida psíquica no Centro Motor". Seriam
os homens "do corpo físico, em quem as funções
do instinto e do movimento predominam sobre as do sentimento
e do pensar". Estes aprendem por imitação,
por memorização e por repetição.
Os seres humanos do Grupo número Dois correspondem
no "Eneagrama dos Traços Principais" aos
Tipos 2, 3 e 4 e, segundo Gurdjieff, seriam aqueles nos quais
o "centro de gravidade de sua vida psíquica está
no Centro Emocional, e, [o ser humano] em quem as funções
emocionais predominam sobre as outras é [o ser humano]
do sentimento, [o ser humano] emocional". Aprendem somente
o que lhes "agrada", o de que "gostam".
Quando sadios procuram tudo o que lhes "agrada";
quando "doentios" são atraídos para
o que os "desagrada".
Os seres humanos do Grupo número Três correspondem
no "Eneagrama dos Traços Principais" aos
Tipos 5, 6 e 7 e, segundo Gurdjieff, "o [ser humano]
Número Três (é aquele cujo) centro de
gravidade de sua vida psíquica está no Centro
Intelectual, noutros termos, é [o ser humano] em quem
as funções intelectuais predominam sobre as
funções emocionais, instintivas e motoras; é
o [ser humano] racional, que tem uma teoria para tudo o que
faz, que parte sempre de considerações mentais
[...] O saber [dos seres humanos Três] é um saber
fundado num pensar subjetivamente lógico, em palavras,
numa compreensão literal [...]".
Naturalmente, para cada aspecto predominante, existem outros
dois, só que com menor poder de influência e
desenvolvimento. Para "visualizar" esta divisão
da humanidade, fiz o seguinte gráfico:
Figura 6
Além destes Três Grupos de Seres Humanos Básicos,
Gurdjieff definia um grupo de Seres Humanos Intermediários
(ou seja, que estão iniciando um processo de evolução
consciente) e três Grupos de Seres Humanos Superiores,
produtos de uma evolução deliberada, consciente
e gradual, fruto de um conhecimento exato relacionado com
o desenvolvimento objetivo de novos níveis de consciência
e nos quais os Três Centros estão em equilíbrio,
permitindo, a partir do quinto nível evolutivo, a manifestação
plena do que ele chamava de "Centros Superiores",
que existem só potencialmente nas primeiras três
categorias "mecânicas", e com alguns sinais
básicos de manifestação na quarta categoria.
O Ser humano do Grupo número Quatro: Gurdjieff o definia
como aquele que, tendo nascido nos Grupos Psicológicos
Um, Dois ou Três, conhece um sistema de trabalho interno,
que lhe permite desenvolver nele "um centro de gravidade
permanente feito de suas idéias, de sua apreciação
do trabalho (interno) e de sua relação com a
escola (na qual aprende a realizar esse trabalho de autoconhecimento).
Além disso, seus centros psíquicos já
começaram a se equilibrar; nele, um centro não
pode mais ter preponderância sobre os outros, como é
o caso das três primeiras categorias". Gurdjieff
completa dizendo que este tipo de ser humano, diferentemente
dos que pertencem aos três primeiros Grupos, "já
começa a se conhecer, começa a saber para onde
vai".
Sobre os seres humanos das categorias Cinco, Seis e Sete
(não confundir com os Tipos 5, 6 e 7), Gurdjieff se
refere apenas ao tipo de saber que desenvolvem com as seguintes
palavras citadas por Ouspensky:
"O saber do homem [do Grupo] número Cinco é
um saber total e indivisível [...]. Possui um Eu indivisível
e todo o seu conhecimento pertence a esse Eu. Não pode
mais ter um 'eu' que saiba alguma coisa sem que outro 'eu'
esteja informado disso. O que ele sabe, sabe com a totalidade
de seu ser. Seu saber está mais próximo do saber
objetivo [lembra o que já revelamos sobre o conhecimento
objetivo anteriormente?] do que pode estar o do homem número
Quatro.
O saber do homem [do Grupo] número Seis representa
a integralidade do saber acessível ao homem; mais ainda
pode ser perdido. "
O saber do homem [do Grupo] número Sete é bem
dele e não lhe pode mais ser tirado; é o saber
objetivo e totalmente prático (ou seja, vivencial,
não teórico) de Tudo."
Em seguida e para reflexão dos conhecedores do Quarto
Caminho e interessados no autoconhecimento e na evolução
"espiritual" da humanidade, deixo um insight que
tive em relação a estes ensinamentos e que resumi
no seguinte "Eneagrama da evolução possível
do homem", para cuja confecção apliquei
o Princípio Hermético de Correspondência,
a Lei de Três e a Lei de Sete.
Figura 7
O Eneagrama da possível evolução humana.
As sete categorias humanas de Gurdjieff (três "mecânicas",
uma "intermediária" e três "conscientes").
Para chegar a elas, baseei-me nas Leis de Analogia (Segunda
Lei Hermética de Correspondência*), a Lei de
Três e a Lei de Sete.
(*) Sobre as Leis ou Princípios Herméticos,
você pode ler minha obra Iniciação e autoconhecimento.
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO PRÁTICO DO ENEAGRAMA
PARA O AUTOCONHECIMENTO
É fácil observar no gráfico anterior
como são importantes o estudo e o conhecimento de si
mesmo através do Eneagrama, já que, teoricamente,
nos podem conduzir a níveis de desenvolvimento muito
elevados.
Iniciar um processo de autoconhecimento implica primeiramente
perceber e aceitar que vivemos sujeitos a um nível
de consciência subjetivo e "mecânico";
que somos parte de um desses três grupos psicológicos
básicos de seres humanos e que o meio para nos livrarmos
dessa "mecanicidade" passa necessariamente por um
processo de aprimoramento que não pode ser realizado
aleatoriamente. O que é importante para alguns não
o é necessariamente para outros. Enquanto não
soubermos o que implica tudo isso, não será
possível compreender por que é fundamental iniciar
este processo objetivamente.
A partir de um certo momento, muitas pessoas iniciam seus
primeiros esforços em busca de maior autodomínio
e autoconhecimento, porque percebem os benefícios espirituais,
materiais e individuais que isso lhes proporciona. Contudo
podem ser várias as razões para se iniciar um
processo de autoconhecimento e enfocar uma ou todas estas
valiosas metas. Porém as diversas razões pelas
quais uma pessoa deseja ter maior domínio e conhecimento
de si mesma podem claramente ser definidas quando sabemos
a qual dos grupos principais ela pertence como ser humano.
É fácil comprovar que existem motivações
básicas bem diferentes. Pessoas do Grupo Um (Centro
Motor) talvez desejem obter maior poder pessoal, maior controle
das situações e dos demais, maior domínio
de si mesmas, objetivando "resultados materiais".
Pessoas do Grupo Dois (Centro Emocional) querem lidar e interagir
melhor com as pessoas em termos emocionais, querem aprender
a controlar suas emoções e as das outras pessoas,
querem ampliar suas possibilidades de servir aos outros com
sucesso já que isto as satisfaz e realiza. Por último,
pessoas do Grupo Três (Centro Intelectual) querem saber
quais são as causas e as leis que governam seus mundos
internos, querem conhecer as causas pelas quais os fenômenos
acontecem, querem ter os conhecimentos que lhes permitam compreender
a vida e a si mesmas, não necessariamente pelas razões
dos primeiros grupos. Talvez queiram apenas saber. Naturalmente,
em todas elas, algo das motivações que influenciam
com maior força os outros dois grupos aos quais não
pertencem, está presente, ainda que em menor grau.
A razão é que em todos os três Grupos
é possível perceber um desenvolvimento psicológico
unilateral, pelo qual um dos Centros se tornou mais "sensível"
que os outros aos "estímulos externos" e
"interpreta" a realidade a partir de "necessidades"
e "motivações" diferentes.
O que dificulta o estudo prático de si mesmo é
o fato de as pessoas não se darem conta do que implica
ser parte de uma humanidade mecânica ou que vive num
baixo nível de consciência.
Em primeiro lugar, no nível de consciência habitual
ou subjetivo, o ser humano não é realmente "livre".
Gurdjieff ensina que nesse nível o ser humano não
faz, tudo simplesmente lhe acontece. É muito difícil
compreender e aceitar esta afirmação porque
todos achamos que "fazemos". Só que, falando
em termos estritos, nenhum ser humano nos três Grupos
(Físico, Emocional e/ou Mental) poderia considerar
que suas condutas, modos de agir e/ou reagir perante a existência
são "conscientemente" escolhidos ou mesmo
originais, já que todos os que integram esses grupos
agem e reagem pelas mesmas causas básicas. Isto é
uma das verdades que o Eneagrama nos permite "descobrir".
O único meio de que dispomos para nos livrarmos dessa
"mecanicidade" é conhecer como ela se manifesta
em cada um de nós, ou seja, quais são essas
características mecânicas e previsíveis
que acompanham essa nossa manifestação pessoal.
É aqui que o Eneagrama dos Traços Principais
se torna valioso, porque através dele conseguiremos
saber:
Qual é o Grupo (Um, Dois ou Três) ao qual pertenço
como ser humano no nível "mecânico".
Qual é o Traço ou Defeito Principal (são
três para cada grupo), no qual devo concentrar meus
esforços de observação, lembrança
e autocontrole para superá-lo e conseguir efetivamente
o conhecimento de mim mesmo.
Qual o trabalho específico, relacionado com meu grupo
e Traço Principal, que me ajudará a aprimorar
meu autoconhecimento e autodomínio. Vamos, então,
conhecer o Eneagrama dos Traços ou Defeitos Principais
e suas três causas principais.
O ENEAGRAMA DOS NOVE TRAÇOS (defeitos) PRINCIPAIS
SEGUNDO GURDJIEFF
Gurdjieff costumava usar uma linguagem muito exata para transmitir
seus conhecimentos, de tal maneira que seus conceitos podem
ser muito bem identificados e diferenciados por alguém
que estude e reflita sobre sua obra com atenção.
Isso me permitiu realizar a análise eneagramática
dos mesmos e definir explicitamente o Eneagrama dos Traços
Principais implícitos nas obras de Gurdjieff e Ouspensky.
Baseado nesta experiência e comparando essas observações
com os estudos e descobertas eneagramáticos feitos
por Ichazo segundo foram revelados, pesquisados e/ ou comentados
nas obras de Claudio Naranjo, Don Richard Riso, Helen Palmer
e outros pesquisadores do tema, pude, ao longo do tempo, concluir
que, eneagramatica mente falando, os Três Problemas
Fundamentais e Nucleares que segundo Gurdjieff impedem o autoconhecimento
e a realização humana são:
O Esquecimento de Si Mesmo
A Consideração Interna
A Identificação
Destes três problemas principais, a que podem e devem
ser associados os Três Grupos Humanos Básicos,
surgem os seguintes Traços Principais:
Do Primeiro Grupo: Do Esquecimento de Si Mesmo, questão
nuclear que afeta os seres humanos Tipos 8, 9 e 1, cujo centro
de gravidade psicológico está localizado no
Centro Motor ou do Movimento, surgem:
a) Os seres humanos que se caracterizam por um constante
estado de luta e defesa contra tudo o que parece estar contra
eles, revoltados, sempre acham que alguma "injustiça"
está sendo cometida contra eles, ou seja, os Tipos
8.
b) Os seres humanos proteladores e esquecidos que se caracterizam
por sofrer do que Gurdjieff chamava de a "doença
do amanhã", ou seja, os Tipos 9; e
c) Os seres humanos que se caracterizam por uma forte inclinação
a separar as coisas em "boas" e "más",
"corretas" e "incorretas", "certas"
e "erradas", ao que Gurdjieff denominava a "Moral
Externa" ou "moral subjetiva", ou seja, os
Tipos 1;
Figura 8
Grupo Um dos seres humanos /Centro Motor ou do Movimento
/ Tipos 8, 9 e 1
Questão Nuclear: Esquecimento de Si Mesmo/Traços
ou Defeitos Principais:
A "revolta" (8) A "Doença do amanhã"
(9) e a "Moral Externa ou subjetiva" (1)
o Segundo Grupo: Da Identificação, questão
nuclear que afeta os seres humanos Tipos 2, 3 e 4 e cujo centro
de gravidade psicológico está localizado no
Centro Emocional, surgem:
a) Os seres humanos que, segundo Gurdjieff, se caracterizam
por acreditar que não consideram os outros o suficiente,
que não dão o suficiente de si e que se tornam
escravos dos outros quando amam, ou seja, os Tipos 2. Identificados
com as emoções alheias.
b) Os seres humanos que, segundo Gurdjieff, se caracterizam
por suas "exigências", ou seja, que exigem
admiração, estima e consideração
constante dos outros para que se sintam agradados e felizes,
ou seja, os Tipos 3. Identificados com a "imagem"
necessária para obter a consideração
alheia.
c) Os seres humanos que, segundo Gurdjieff, sofrem "tolamente",
aqueles para os quais o "sofrimento inconsciente"
se tornou uma escravidão, ou seja, os Tipos 4. Identificados
com seus próprios "sofrimentos".
Figura 9
Grupo Dois dos seres humanos / Centro Emocional / Tipos 2,
3 e 4
Questão Nuclear: Identificação/Traços
ou Defeitos Principais: "Amor escravo" (2)
A "Exigência" de atenção (3)
e o "Sofrimento tolo" (4)
Do Terceiro Grupo: Da Consideração Interna,
questão nuclear que afeta os seres humanos Tipos 5,
6 e 7 e cujo centro de gravidade psicológico está
localizado no Centro Intelectual, surgem:
a) Os seres humanos que, segundo Gurdjieff, só vivem
"pelo mental", que aprendem sem compreender, ou
seja, os Tipos 5.
b) Os seres humanos que estão sob o controle do "medo"
e/ ou que "deixam de ver e ouvir o que realmente acontece",
ou seja, os Tipos 6.
c) Os seres humanos que têm a ilusão de serem
"livres", que acham que possuem "vontade própria"
para "escolher, dirigir e organizar livremente suas vidas",
que se acham "notáveis", "originais",
ou seja, os Tipos 7.
Figura 10
Grupo Três dos seres humanos / Centro Intelectual /
Tipos 5, 6 e 7
Questão Nuclear: Consideração Interna
/ Traços ou Defeitos Principais: "Viver no mental"
(5)
O "Medo" (6 ) e a "Falsa liberdade" (7)
DEFINIÇÕES DE GURDJIEFF CONSIDERADAS
PARA O ESTUDO DOS TRAÇOS (DEFEITOS) PRINCIPAIS
Definição dos três problemas nucleares:
Esquecimento de Si Mesmo, Identificação e Consideração
Interna e sua relação com os Tipos Eneagramáticos:
Gurdjieff permanentemente chamava a atenção
dos seus alunos para os três problemas nucleares. Para
ele, era fundamental que todos conseguissem observá-los
em si mesmos, como um meio para alcançar a consciência
de si. Sendo "nucleares", afetam todos os Tipos
Eneagramáticos, porém aquele relacionado com
o grupo ao qual você pertence, deve ser considerado
com maior atenção.
Sendo meu interesse principal destacar a obra e os ensinamentos
deste mestre, cito as principais definições
que ele deixou destes três problemas nucleares:
Sobre o Esquecimento de Si Mesmo:
Gurdjieff dizia: "... o homem se esquece de si mesmo
sem cessar. Sua impotência em lembrar-se de si é
um dos traços mais característicos de seu ser
e a verdadeira causa de todo o seu comportamento..."
Também podemos ler: "Vocês se esquecem
sempre de si mesmos, vocês nunca se lembram de si mesmos.
Vocês não sentem a si mesmos; vocês não
são conscientes de si mesmos. Em vocês, isso
observa, ou então isso fala, isso pensa, isso ri; vocês
não sentem: sou eu quem observa, eu observo, eu noto,
eu vejo. Tudo se observa sozinho, se vê sozinho... Para
chegar a observar verdadeiramente, é necessário,
antes de tudo, lembrar-se de si mesmo. "
Embora sirva para todos, por se tratar de um ponto nuclear
que afeta todos os Tipos e se manifesta em todos os Defeitos
ou Traços Principais, esta recomendação
se reveste de especial importância para os Tipos 8,
9 e 1, os quais deverão considerá-la especialmente.
Por quê? Porque, por exemplo, quando Tipos 8 se fixam
demais na conquista do externo, "esquecem" do valor
de seus mundos internos; quando Tipos 9 deixam de se importar
com suas necessidades e protelam aquelas ações
que os beneficiam pessoalmente, estão demonstrando
o "esquecimento" de si mesmos, e quando Tipos 1
se preocupam demais com as "formalidades" e com
a "ordem", "esquecem" de considerar as
coisas sob outros ângulos e, também, "esquecem"
que existem várias maneiras de realizar os mesmos objetivos.
P. D. Ouspensky escreve a respeito o seguinte:
"Dizia que um fato de prodigiosa importância escapara
à psicologia ocidental, ou seja: que não nos
lembramos de nós mesmos, que vivemos, agimos e raciocinamos
dentro de um sono profundo, dentro de um sono que nada tem
de metafórico, mas é absolutamente real; e,
no entanto, que podemos nos lembrar de nós mesmos,
se fizermos esforços suficientes; que podemos despertar.
"
A lembrança de si mesmo é a chave que nos permite
compreender que não somos nossas "máscaras"
(personalidades), que elas não são o ser real
e que é possível observar nosso "traço
ou defeito principal" compreendendo que podemos chegar
a transmutá-lo em seu oposto "virtuoso".
Sobre a Identificação:
Gurdjieff dizia que "... uma das características
fundamentais da atitude do homem para consigo mesmo e para
com os que o rodeiam [é] sua constante identificação
com tudo o que prende sua atenção, seus pensamentos
ou seus desejos e sua imaginação. A Identificação
é um traço tão comum que, na tarefa da
observação de si, é difícil separá-la
do resto. O homem está sempre em estado de identificação;
apenas muda o objeto de sua identificação".
Assim como acontece com o Esquecimento de Si Mesmo, a Identificação,
como aspecto "nuclear" (Ponto 3 do Eneagrama), afeta
todos nós e, como diz Gurdjieff, quando iniciamos a
observação de nós mesmos, é difícil
separá-la do resto, porém ela afeta com maior
força os Tipos 2, 3 e 4, os quais deverão trabalhar
sobre este aspecto com mais atenção. Exemplos:
a) a "Identificação" leva Tipos 2
a ficarem "escravos" do que amam transformando-os
em "seres para", o que, num momento determinado,
pode angustiá-los; b) leva Tipos 3 a ficarem "escravos"
dos "bons desempenhos", dos "triunfos",
da "imagem de sucesso", o que lhes provoca a perda
do "contato" com seus sentimentos e necessidades
mais profundos; finalmente, a "Identificação"
com vivências passadas ou com desejos ou esperanças
futuras leva Tipos 4 a serem "escravos" das lembranças
ou dos desejos e, portanto, a não estarem emocionalmente
felizes no momento "presente", nem perceber o que
esse "presente" tem de bom.
Gurdjieff sustenta que o único modo de superar a identificação
é aprendendo a desidentificar-se, já que somente
desta maneira se poderá conseguir a "lembrança
de si": "... para aprender a não se identificar,
o homem deve, antes de tudo, não se identificar consigo
mesmo, não chamar a si mesmo de 'eu', sempre e em todas
as coisas. Deve lembrar-se de que existem dois nele, que há
ele mesmo, isto é, um 'eu' (o verdadeiro ser, o observador)
e o outro (a máscara, o falso eu), com quem deve lutar
e a quem deve vencer se quiser alcançar alguma coisa.
Enquanto um homem se identifica ou é suscetível
de identificar-se, é escravo de tudo o que lhe pode
acontecer. A liberdade significa antes de tudo: libertar-se
da identificação".
Sobre a Consideração Interna:
Considerar tem sua origem no latim considerare e, segundo
os dicionários, significa entre outras coisas: atender
a, atentar para; pensar em; meditar, ponderar, examinar, imaginar,
conceber, julgar, refletir em alguma coisa. Todos estes sentidos
"intelectuais" devem ser relacionados na definição
que Gurdjieff faz da "consideração interna",
ou seja, um pensar, refletir, examinar, imaginar, somente
voltado ao sujeito que considera e relaciona tudo apenas com
suas "necessidades". Não existe um pensar
"considerando o que está fora" do sujeito,
ou seja, considerando as pessoas, as situações,
as necessidades, os sentimentos e estados de ânimo dessas
pessoas, desses outros. A consideração interior
é como um muro que nos separa da realidade tal qual
ela é. A consideração interna não
nos permite agir de acordo com as mudanças, as nuances,
apenas podemos enxergar nossas "idéias",
nossas "opiniões", nossos "medos".
Na consideração interior também existe
uma "projeção" ao exterior daquilo
que eu sinto, penso ou acho de uma situação
dada. Na filosofia Vedanta Advaita, se diz que um dos poderes
de "Maia" é fazer as coisas aparecerem como
elas não são e se conta, como exemplo, a história
de um sujeito que vem caminhando à noite por uma estrada
escura. Está ventando muito, então, de repente,
ele vê uma serpente se movendo alguns metros adiante
e se arma com um pau para se defender do provável ataque.
Fica tenso, perde muita energia pelo seu grande temor de ser
mordido pela serpente. Avança com cuidado. A serpente
parece estar muito agitada. Porém quando chega perto
da serpente e está totalmente esgotado de tanto temor,
tremendo e suando, percebe que ela não existe, que
era um galho que, movido pelo vento e devido à noite
escura, parecia uma serpente. Isto é a consideração
interna: uma incapacidade de ver, sentir e pensar nas coisas
apenas tal qual elas são. Gurdjieff ensina a respeito
que:
"Temos duas vidas, uma interior e outra exterior; por
conseguinte, temos duas espécies de consideração.
Nós 'consideramos' constantemente. " Então,
ele dá um exemplo: "Uma pessoa me olha. Interiormente,
sinto antipatia por ela (...) exteriormente sou cortês.
Sou forçado a ser cortês, pois preciso dela.
Isso é consideração exterior. Agora ela
diz que sou um imbecil. Isso me enfurece. O fato de estar
enfurecido é um resultado, mas o que se passa em mim
é proveniente da consideração interior."
A consideração interior, por ser um dos pontos
nucleares (Ponto 6), também é algo que devemos
aprender a controlar, porque afeta todos os Tipos Eneagramáticos.
Porém os Tipos 5, 6 e 7 deverão prestar maior
atenção a esta questão. Por exemplo,
Tipos 5 tendem a se isolar porque lhes é difícil
"comunicar-se", "interagir" e "inter-relacionar-se"
com os demais, por estarem sempre "considerando internamente",
ou seja, pensando que algumas pessoas são "muito
superficiais", que outras "podem comprometê-lo",
outras podem ter "intenções ocultas"
e assim por diante, o que os leva a criar barreiras entre
eles e os outros. Os Tipos 6 "consideram internamente"
a partir de seus temores, de seus medos, imaginam situações
perigosas ou difíceis de resolver e vivem essas suposições
como se fossem reais. Já os Tipos 7 vivem "planejando"
coisas no "plano mental", às vezes totalmente
"fora da realidade", o que os pode levar a cometer
certas irresponsabilidades que acabam afetando outros. Tudo
isto porque apenas "consideram internamente" e não
percebem que seus atos, que julgam "importantes",
podem afetar negativamente os outros. Gurdjieff afirma que
esta "consideração interna" é
produto de uma educação que só se preocupa
com o desenvolvimento do Centro Intelectual. Ele diz que "não
educamos nada além de nosso intelecto" e que o
caminho para a consideração externa é
o desenvolvimento correto do Centro Emocional, o qual compara
com um "cavalo" que só aprendeu duas palavras
"direita" e "esquerda", ou seja, "simpático/odioso,
agradável/desagradável", etc. Um de seus
conselhos era: "Devemos parar de reagir interiormente.
Se alguém for grosseiro conosco (por exemplo), não
devemos reagir internamente." E acrescenta algo que,
com certeza, Tipos 5, 6 e 7 apreciam demais: "Aquele
que conseguir isso será mais livre. " Porém
nos adverte que "isso é muito difícil."
Para Gurdjieff conseguir considerar tudo "externamente
sempre e internamente nunca" era tão importante
que um dos aforismos inscritos no toldo do Study House, no
Prieuré, dizia assim:
"O melhor meio de ser feliz nessa vida é poder
considerar sempre exteriormente – nunca interiormente."
PARA ALÉM DOS NOVE TRAÇOS PRINCIPAIS.
A QUESTÃO DOS "EUS". O ENEAGRAMA INTERIOR
Após transcrever os exatos "retratos" psicológicos
que Gurdjieff fazia dos tipos humanos, gostaria de compartilhar
com você uma outra questão. Por que é
que Gurdjieff não definiu um Eneagrama dos Traços
Principais explicitamente, por que falava deles de um modo
geral, de maneira que todos tinham que observar em si mesmos
o modo pelo qual esses Traços Principais se manifestavam,
tendo que hierarquizá-los com respeito ao que, em cada
caso particular, era o "principal"? Por que preferia,
em algumas ocasiões, ele mesmo mostrar (e às
vezes de forma bastante rude) qual era o Traço Principal
de alguns de seus discípulos para que eles aprimorassem
a observação e lembrança de si?
Gurdjieff gostava de "pisar nos calos favoritos das
pessoas", ou seja, "provocar" a identificação
do Traço Principal de uma maneira que as pessoas se
sentissem "chocadas" ao se aperceber de suas condutas
mecânicas. Como observa muito corretamente Claudio Naranjo
"(...) Gurdjieff explorou sua injunção
ao insight e sua magistral confrontação (enquanto
que) Ichazo trabalhou com o diagnóstico (...)".
Logicamente, como Tipo 8 que Gurdjieff era, seu jeito "agressivo"
de confrontar as pessoas com seus Traços Principais
era para ele o mais adequado e, com certeza, conseguia "despertar"
a atenção de seus alunos para a necessidade
de enxergá-los sem "nenhuma piedade".
Penso também que quando ele ensina sobre os diversos
"eus" que podem atuar na vida psíquica de
um sujeito, ele se referia, de algum modo, ao fato de que
todos temos, em maior ou menor grau, algo de todos os "Traços"
e suas combinações, sendo que, um deles, é
o mais "forte" e característico. Seus ensinamentos
sobre os diversos "eus" presentes no mundo interno
são um alerta para nossa falta de "unidade"
interior. Citado por Ouspensky, Gurdjieff diz a respeito:
"O homem não tem 'Eu' individual. Em seu lugar
há centenas e milhares de pequenos 'eus' separados,
que, na maior parte das vezes, se ignoram, não mantêm
nenhuma relação entre si ou, ao contrário,
são hostis uns aos outros, exclusivos e incompatíveis.
A cada minuto, a cada momento, o homem diz ou pensa 'Eu'.
E a cada vez seu 'eu' é diferente [...] O homem é
uma pluralidade. O seu nome é legião*."
Visto deste ângulo, o Traço Principal seria,
entre todos os "eus" que habitam nosso mundo interior,
o "eu falso" mais forte, aquele que comanda a "máscara"/persona.
Assim, por exemplo, um sujeito Tipo 8, que tem como Traço
Principal seu caráter agressivo/luxurioso, ou melhor,
que se excede em tudo o que faz, também teria os outros
8 "eus" eneagramáticos e todos os "eus"
resultantes das "triplas" combinações.
Isso significa que, no mesmo sujeito agressivo, podemos achar
todas as restantes características eneagramáticas
"negativas" e "positivas". Algumas serão
relativamente fortes, outras se manifestarão de maneira
mais "fraca", algumas fortalecerão o Traço
Principal, outras o tornarão mais equilibrado. Algumas
serão aliadas desse sujeito, outras agirão como
"inimigos" internos. O que quero dizer é
que, analisando o modo como Gurdjieff falava dos três
problemas nucleares e o modo como descrevia os aspectos negativos
das pessoas em relação aos seus diversos "eus",
cheguei à conclusão de que para ele o mais importante
é que a gente perceba que todos os "traços
negativos" estão presentes em nós sempre
e que não devemos considerar apenas o "principal"
como o alvo do nosso trabalho de observação
e lembrança interior.
No meu entendimento, este é o ponto mais valioso da
técnica de Gurdjieff, porque nos lembra que o Eneagrama
também está completo e em movimento constante
nos nossos mundos internos; que o esquecimento de si mesmo
e os três traços decorrentes de sua manifestação
afetam todos nós; que a identificação
está sempre presente em nossos atos e relacionamentos,
que vivemos considerando internamente sempre e que todos os
"traços" ligados a estes "núcleos"
expressam a perda de contato com o Ser, com o "Eu real",
com aquilo que poderíamos chamar, de acordo com as
antigas tradições, o "observador silencioso",
a "testemunha", a única capaz de ser verdadeiramente
consciente porque é a consciência. Ao mesmo tempo,
considerando o assunto deste modo, cada um de nós tem
mais um elemento para a análise de si mesmo: quais
os aspectos que além do Traço Principal devemos
conquistar em nós mesmos, que Tipos Eneagramáticos
podem servir como exemplo do que devemos ou não fazer,
o que é que podemos aprender com esses "outros
eus" que fazem parte dos nossos Eneagramas internos?
Por acaso temos um "eu" que sofre "tolamente"?
* Do livro Fragmentos de um ensinamento desconhecido, de
Ouspensky.
Temos um "eu" que não sabe amar? Temos um
"eu" protelador? Um "eu" vaidoso? Um "eu"
moralista? Um "eu" medroso? Ao mesmo tempo, e sabendo
que para cada Traço ou Defeito Principal existe uma
Virtude, um Poder em potencial que podemos desenvolver e atualizar,
devemos concluir necessariamente que a conquista da Virtude
por trás dos nossos Traços Principais nos permitirá
desenvolver positivamente o potencial de todos os demais "eus"
dos nossos Eneagramas internos. Ainda mais, talvez, atualmente
alguns desses "eus" sejam já os nossos "aliados"
psicológicos e só devemos nos tornar conscientes
de suas "presenças". A questão dos
"eus" na psicofilosofia de Gurdjieff é fundamental,
já que a grande conquista interior passa necessariamente
pelo controle, transmutação (ou até a
"morte" de alguns deles) e governo de todos os pequenos
"eus" por um único "Eu", permanente,
reflexivo e consciente. Isto é o que torna "indivíduo"
(sem divisões interiores) aquele que conquista a "máscara"
ou personalidade. Enquanto o Traço Principal não
for conquistado, o comando da "personalidade" ficará
a cargo de um "falso eu" e de todos os que a ele
estão atrelados. Só o profundo conhecimento
de si mesmo poderá devolver o comando da persona ao
"verdadeiro Eu". Não vou me estender mais
aqui sobre este assunto, que trato com mais profundidade na
minha obra Iniciação e autoconhecimento.
Enfim, o modo gurdjieffiano de mostrar o Eneagrama dos Traços
Principais apontava, na minha opinião, na direção
da descoberta de todos os nossos "problemas internos",
de todos os 9 "eus" e seus "subtipos",
com o objetivo de que o conhecimento de si mesmo fosse "completo",
ou seja, que nossos Eneagramas internos se tornassem conhecidos
para nós mesmos. Então, conhecer o Traço
Principal é importante, não apenas como uma
classificação, não apenas para repetir
como "papagaio" "sou 4", "sou 7"
ou "sou 3 com asa 2", como ouço por aí
de pessoas para as quais o Eneagrama se tornou mais uma "armadilha"
que só aumenta seu grau de "sono". Quando
nos tornamos conscientes de nosso Traço Principal e
conscientes dos demais "eus" que habitam nosso complexo
e labiríntico mundo interior, quando podemos ser conscientes
dos "eus" que, sem ser os principais, também
influenciam no "esquecimento de si mesmo", na "identificação"
e na "consideração interna", aí
então é que o Eneagrama se torna verdadeiramente
valioso e supera os limites de uma mera "tipologia psicológica".
Desta forma se torna também uma ferramenta para que
possamos lidar melhor com nossas "realidades" pessoais
e individuais. Torna-se útil como instrumento que nos
pode ajudar em nossas vidas profissionais e em nossos necessários
e cotidianos relacionamentos.
Graças à minha experiência no estudo
e prática destes conhecimentos, me dou conta, a cada
dia, como se torna cada vez mais fácil para mim perceber
o Traço Principal nas pessoas e observo o quanto isso
é valioso para, usando a "consideração
externa", compreendê-las melhor e obter delas o
que realmente quero. Para alguns, isto pode parecer "manipulação",
mas ninguém deixa de manipular em nenhum momento, só
que os meios, as razões e o êxito ou fracasso
dessa "manipulação" são o que
a diferenciam. Seres que não conhecem o seu próprio
Traço Principal e que não o reconhecem em outras
pessoas, só conseguem resultados em seus relacionamentos
e trabalhos por mero "acidente", ou porque uma pessoa
consegue com o tempo ficar mais sensível às
diferenças humanas devido às suas experiências
e vivências. Gurdjieff reconhece que ele próprio
se tornou com o tempo um especialista em descobrir o Traço
Principal nas pessoas com as quais se relacionava, não
somente com objetivos "espirituais " mas também
com objetivos muito "concretos". Em sua última
obra, A vida é real somente quando "Eu Sou"
(La vida es real solo cuando "Yo Soy" Editorial
Sirio, España, pág. 57) cujo título já
é uma grande lição a ser compreendida,
Gurdjieff revela como isso se tornou para ele uma tarefa constante:
"(...) qualquer um que eu conhecesse, por negócios,
comércio ou qualquer outro motivo, fosse velho ou novo
conhecido, e qualquer que fosse sua posição
social, eu teria que descobrir imediatamente seu 'calo mais
sensível' e 'pressioná-lo', preferivelmente
com dureza."
Este deve ser o seu "espírito" ao se preparar
para conhecer seu Traço Principal através desta
obra, ou para, já conhecendo seu Traço Principal,
aprimorar sua experiência por razões pessoais
ou profissionais. Reconheça seu Traço Principal
com sinceridade e descubra o seu próprio Eneagrama
interior, no qual, todos os "traços" estão
presentes. Conhecendo dessa forma seu "microcosmo",
você poderá conhecer todos os "microcosmos"
que o rodeiam e, finalmente, quando alcançar a total
consciência de si mesmo, o "macrocosmo" poderá
ser conhecido tal qual ele é, uma expressão
maravilhosa dos milhares de "rostos" daquilo que
chamamos "DEUS". Agora sim vamos ver como Gurdjieff
"retrata" cada um dos nove Traços ou Defeitos
Principais:
Definições dos Nove Traços ou Defeitos
Principais segundo Gurdjieff
Após analisar detidamente os Traços ou Defeitos
Principais definidos por Gurdjieff e confrontá-los
com os que outros pesquisadores do Eneagrama destacam, baseados
nas descobertas de Ichazo, consegui isolar todas as definições
com as quais ele os "retratava" tão magistralmente.
Novamente os livros Fragmentos de um ensinamento desconhecido
e Gurdjieff fala a seus alunos foram fundamentais para realizar
essa pesquisa. Vejamos por Grupos.
Traços Principais dos Tipos 8, 9 e 1 (Centro do Movimento-Questão
Nuclear: Esquecimento de Si Mesmos)
Tipos 8: "Existem diversas espécies de consideração.
Na maior parte dos casos, o homem se identifica com o que
os outros pensam dele, com a maneira com a qual o tratam,
com sua atitude para com ele [...] pensa sempre que as pessoas
não o apreciam o suficiente [...] Tudo isso o aborrece,
o preocupa, o torna desconfiado; desperdiça em conjecturas
ou em suposições enorme quantidade de energia;
desenvolve nele, assim, uma atitude desconfiada e hostil para
com os outros. Como olharam para ele, o que pensam dele, o
que disseram dele, tudo isso assume a seus olhos enorme importância.
E considera não só as pessoas, mas a sociedade
e as condições históricas. Tudo o que
desagrada a tal homem lhe parece injusto, ilegítimo,
falso e ilógico. E o ponto de partida de seu julgamento
é sempre que as coisas podem e devem ser modificadas.
A 'injustiça' é uma dessas palavras que servem
freqüentemente de máscara a [este tipo de] 'consideração'
[interna]. "
Tipos 9: "[...] Sem auxílio exterior, um homem
nunca pode se ver. Por que é assim? Lembrem-se. Dissemos
que a observação de si conduz à constatação
de que o homem se esquece de si mesmo sem cessar. Sua impotência
em lembrar-se de si é um dos traços mais característicos
de seu ser e a verdadeira causa de todo o seu comportamento.
Essa impotência manifesta-se de mil maneiras. Não
se lembra de suas decisões, não se lembra da
palavra que deu a si mesmo, não se lembra do que disse
ou sentiu há um mês, uma semana ou um dia ou
apenas uma hora. Começa um trabalho e logo esquece
por que o empreendeu, e é no trabalho sobre si que
esse fenômeno se produz com especial freqüência."
Tipos 1: "Outro exemplo, talvez pior ainda, é
o do homem que considera que na sua opinião, 'deveria'
fazer algo, quando na realidade, não tem que fazer
absolutamente nada. 'Dever' e 'Não dever' é
um problema difícil; em outras palavras, é difícil
compreender quando um homem realmente 'deve' e quando 'não
deve' (fazer algo)."
Traços Principais dos Tipos 2, 3 e 4 (Centro Emocional-Questão
Nuclear: Identificação)
Tipos 2: "Há duas espécies de amor. Um
é o amor escravo. O outro deve ser adquirido pelo trabalho
sobre si. O primeiro não tem valor algum; só
o segundo, o amor que é fruto de um trabalho interno,
tem valor. É o amor de que todas as religiões
falam. Se você amar, quando 'isso' [a máscara]
ama, esse amor não depende de você e não
haverá nenhum mérito nisso. É o que chamamos
'amor de escravo'. Você ama até mesmo quando
não deveria amar. As circunstâncias fazem-no
amar mecanicamente [...]"
Tipos 3: "Sugiro que cada um faça a si mesmo
a pergunta 'Quem sou eu?' Estou certo de que 95% de vocês
ficarão perturbados... Isso prova que um homem viveu
toda a sua vida sem se fazer essa pergunta e considera perfeitamente
normal que ele seja 'algo', e até mesmo algo muito
precioso, algo que jamais pôs em dúvida. Ao mesmo
tempo, é incapaz de explicar a outra pessoa o que esse
algo é, incapaz de dar a menor idéia desse algo,
porque ele próprio não o sabe. E se não
sabe, não será simplesmente porque esse algo
não existe, mas apenas se supõe existir? Não
é estranho que fechem os olhos, com tão tola
complacência, ao que realmente são, e passem
a vida na agradável convicção de que
representam algo precioso? Esquecem de ver o vazio insuportável
por trás da soberba fachada criada por seu auto-engano
e não se dão conta de que essa fachada só
tem um valor puramente convencional. "
Ouspensky lembra que alguém perguntou: "O que
é que não compreendemos?" E Gurdjieff respondeu:
"Estão de tal modo habituados a mentir, tanto
a si mesmos como aos outros, que não encontram nem
palavras nem pensamentos, quando querem dizer a verdade. Dizer
a verdade sobre si mesmo é muito difícil. Antes
de dizê-la, deve-se conhecê-la. Ora, não
sabem nem mesmo em que ela consiste [...]."
Tipos 4: "Qual o papel do sofrimento no desenvolvimento
de si?" Ele respondeu: "Existem duas classes de
sofrimento: consciente e inconsciente. Somente um tolo sofre
inconscientemente. Na vida existem dois rios, duas direções.
No primeiro rio, a lei é somente para o rio, não
para as gotas d'água. Nós somos as gotas. Num
momento uma gota está na superfície, num outro
momento está no fundo. O sofrimento depende da sua
posição. No primeiro rio, o sofrimento é
completamente inútil, porque é acidental e inconsciente.
Paralelo a esse rio tem um outro. Neste outro rio existe outra
classe de sofrimento. A gota do primeiro rio tem a possibilidade
de passar ao segundo. 'Hoje' a gota sofre porque 'ontem' não
sofreu o suficiente. Aqui opera a Lei de Retribuição.
A gota também pode sofrer por antecipação,
tarde ou cedo tudo se paga. Para o Cosmo o tempo não
existe. O sofrimento pode ser voluntário e somente
o sofrimento voluntário tem valor. A gente pode sofrer
simplesmente porque se sente infeliz. Ou pode sofrer por 'ontem'
para preparar-se para o 'amanhã'. Repito: somente o
sofrimento voluntário tem valor. "
Traços Principais dos Tipos 5, 6 e 7 (Centro Intelectual-Questão
Nuclear: Consideração Interna)
Tipos 5: "É impossível lembrar-se de si
mesmo. E não podemos nos lembrar, porque queremos viver
unicamente pelo mental... Talvez vocês se lembrem do
que dissemos do homem: nós o comparamos a uma atrelagem
com um amo [o Ser], um cocheiro [Centro Intelectual], um cavalo
[Centro Emocional] e uma carruagem [Centro do Movimento].
Não podemos nem falar do amo pois ele não está
presente; de modo que só podemos falar do cocheiro.
Nosso mental é o cocheiro... Todos os interesses que
temos em relação à mudança, à
transformação de nós mesmos pertencem
apenas ao cocheiro, quer dizer, são unicamente de ordem
mental... A transformação não se obtém
pelo mental; se for pelo mental, não tem nenhuma utilidade.
Por essa razão devemos ensinar, e aprender, não
por meio do mental, mas do sentimento e do corpo... Naqueles
que estão aqui se levantou acidentalmente um desejo
de chegar a algo, de mudar alguma coisa. Mas apenas no mental.
E nada mudou ainda neles. Não passa de uma idéia
que têm na cabeça e cada um permanece o que era.
Mesmo aquele que trabalhasse mentalmente durante dez anos,
que estudasse dia e noite, que se lembrasse mentalmente e
lutasse, mesmo esse não realizaria nada útil
ou real, porque mentalmente nada há para mudar. O que
deve mudar é a disposição do cavalo.
O desejo deve estar no cavalo e a capacidade na carruagem.
Mas como já dissemos, a dificuldade é que, devido
à má educação moderna, a falta
de relação entre nosso corpo (carruagem), nosso
sentimento (cavalo) e nosso mental (cocheiro) não foi
reconhecida desde a infância, e a maioria das pessoas
está tão deformada que não há
mais linguagem comum entre uma parte e outra..."
Tipos 6: "O homem, às vezes, se perde em pensamentos
obsessivos, que voltam e tornam a voltar em relação
ao mesmo objeto, às mesmas coisas desagradáveis
que imagina, e que não apenas não ocorrerão,
mas, de fato, não podem ocorrer. Esses pressentimentos
de aborrecimentos, doença, perdas, situações
embaraçosas se apoderam muitas vezes de um homem a
tal ponto, que assumem a forma de sonhos despertos. As pessoas
deixam de ver e ouvir o que realmente acontece, e, se alguém
conseguir provar a elas, num caso preciso, que seus pressentimentos
e medos são infundados, elas chegam a sentir certa
decepção, como se tivessem sido frustradas de
uma perspectiva agradável...
O medo inconsciente é um aspecto muito característico
do sono...
As pessoas não suspeitam até que ponto estão
em poder do medo. Esse medo não é fácil
de definir. Na maioria dos casos, é o medo de situações
embaraçosas, o medo do que o outro pode pensar. Às
vezes o medo se torna quase uma obsessão maníaca.
"
Tipos 7: "O homem, bem no seu íntimo, 'exige'
que todo mundo o tome por alguém notável, a
quem todos deveriam constantemente testemunhar respeito, estima
e admiração por sua inteligência, por
sua beleza, sua habilidade, seu humor, sua presença
de espírito, sua originalidade e todas as suas outras
qualidades. Essas 'exigências', por sua vez, baseiam-se
na noção completamente fantasiosa que as pessoas
têm de si mesmas, o que acontece com muita freqüência,
mesmo com pessoas de aparência muito modesta [...]."
Eneagrama dos Traços ou Defeitos Principais de acordo
com os Nove "Retratos Psicológicos" de Gurdjieff
Figura 11
A versão integral deste livro está disponível
através do site da Editora Madras ou em qualquer livraria.
Os recursos adquiridos da venda deste livro são destinados
às obras de construção do Campus Holístico.
Instituto IDHI |