O Eneagrama - tipos
Segundo Traço
O amoroso generoso orgulhoso

"Há duas espécies de amor. Uma é
o amor escravo. O outro deve ser adquirido pelo trabalho sobre
si. O primeiro não tem valor algum; só o segundo,
o amor que é fruto de um trabalho interno, tem valor.
É o amor de que todas as religiões falam. Se
você amar, quando isso (a Traço) ama, esse
amor não depende de você e não haverá
nenhum mérito nisso. É o que chamamos 'amor
de escravo'. Você ama até mesmo quando não
deveria amar. As circunstâncias fazem-no amar mecanicamente..."
George Ivanovich Gurdjieff
Se você acha que 50% das seguintes frases, afirmações
e perguntas refletem sua personalidade, então é
provável que você seja um Tipo 2. Que alegria
imensa saber de sua amorosa existência! Que encontro
especial! Nós amamos você!
"Por acaso você não percebe o quanto me
dedico a você?" – "Ajudar as pessoas
é maravilhoso!" – "Eu possuo o poder
da sedução!" – "Toda a minha
vida foi uma constante entrega de amor...!" – "Percebi
que com jeitinho eu ia convencê-las a me dar o que estava
solicitando..." – "A gente se arruma e quer
ficar bonita para sentir que os outros nos admiram..."
– "Quando chego a algum lugar, tento que os outros
reparem na minha presença." – "É
tão bom ser paquerada, ainda que às vezes isso
me cause problemas...!" – "As pessoas merecem
dar-se conta do meu valor!" – "Sou o tipo
de pessoa que adora ser reconhecido e bajulado!" –
"Para conseguir algumas coisas é necessário
mostrar-se humilde..." – "Fico zangado quando
as pessoas das quais espero reconhecimento me ignoram ou me
fazem sentir em segundo lugar!" – "Adoro aplausos!
A vida é um espetáculo..." – "Às
vezes atuo para provocar certas reações nas
pessoas que me interessam..." – "Faço
qualquer coisa para chamar a atenção dos outros...!"
– "Na vida é importante entregar-se de corpo
e alma..." – "Meu amor não tem limites."
– "Agradar aos outros é bom, porque desse
modo você recebe o que quer..." – "O
que será que esta pessoa pensa de mim?"
A HUMILDADE COMO A VIRTUDE QUE NOS LEMBRA NOSSA REAL
IMPORTÂNCIA
Quando se fala em humildade, os Tipos 2 acham que a compreendem.
"Eles são tão humildes!" é
justamente o que esperam ouvir dos outros, ironicamente para
sentirem-se orgulhosos pelo fato de terem provocado esses
"amor" e "reconhecimento" tão apreciados.
Tipos 2 que reparam na sua falsa humildade ou que percebem
como seu orgulho e amor-próprio sabem ocultar-se para
"os outros", acabam por achar até engraçado
esse fato psicológico, o que é um bom sinal
de que a verdadeira humildade está por surgir: "O
trabalho de auto-observação, que já vinha
fazendo há alguns anos, se aprofundou e, agora, de
uma maneira mais divertida, muito menos dolorosa, pois já
me havia desenvolvido mais na arte de rir de mim mesmo. Posso
me desmascarar, agora, ainda com mais facilidade, diante dos
mais próximos. Inclusive neste momento, pois sei que
há dentro de mim a suposição de que alguém,
cuja atenção de alguma maneira me interesse,
venha a descobrir que este relato é meu. E, logicamente,
eu me orgulho até de minha capacidade de me desmascarar.
Rá, rá, rá..."
O que fundamentalmente não deixa os Tipos 2 serem
realmente humildes se relaciona à palavra "exagerar".
Sempre são "demais". Humildes demais ou orgulhosos
demais. Entregues demais, egoístas demais, doadores
demais. Humildade é simplesmente o contrário
de ser exagerado! Humildade é uma palavra que tem sua
origem no termo latino humus, que significa "terra".
Somos humanos da terra! Nada mais. Simplesmente isso! Não
precisamos ser os melhores entre os humanos, apenas sermos
humanos, reconhecendo nossos limites, nossas necessidades
e fraquezas como questões que nos fazem iguais uns
aos outros. Sentir-se parte da terra, produto do mesmo pó,
leva à compreensão da mensagem do mais importante
Tipo 2 da nossa história, Jesus Cristo: "Ama teu
próximo como a ti mesmo."
Este mandamento só pode ser compreendido quando somos
humildes. Quando admitimos que não gostamos de ser
manipulados, quando admitimos que não gostamos de ser
usados, quando admitimos que não devemos ser dependentes
demais, quando admitimos que não nos agrada ser reféns
de sentimentos abafados, quando admitimos que não nos
agradam as pessoas falsas, quando admitimos que não
gostamos de alguém que nos usa, quando admitimos que
não queremos saber que alguém está de
nosso lado apenas porque deseja um resultado ou visa um interesse
que ignoramos, quando admitimos que não gostaríamos
de saber que alguém nos mente ou engana, quando admitimos
que não gostaríamos de saber que alguém
nos ajudou ou nos deu algo esperando ter uma boa razão
para nos cobrar algo em troca, e assim por diante! "Ama
teu próximo Como a Ti Mesmo." Você se ama?
Se a resposta é não, então é difícil
compreender a humildade.
Quando um Tipo 2 começa a amar a si mesmo realmente,
algo muda. Surge a humildade. Descobre-se que não é
preciso atuar ou fazer de conta, que é bom ser autêntico,
que se podem ter amigos verdadeiros e amores que não
sufocam, que não é preciso parecer desamparado
ou "carente" para merecer a atenção
dos outros. Descobre-se o que Gurdjieff chamou de o verdadeiro
amor-próprio. Incrível, não? Do mesmo
modo que o falso amor-próprio precisa da constante
"inflação do ego" proveniente dos
"outros", ou seja, da constante consideração
interna para existir, o verdadeiro amor-próprio precisa
da constante certeza de poder ser autêntico e de considerar
os "outros" como "próximos" com
os quais se participa de uma mesma existência. Jogando
com as palavras: somos Humanidade-Humus.
Sinto que a transcrição das palavras de Gurdjieff,
registradas em Gurdjieff fala a seus alunos, servirá
como um meio para iniciar a descoberta desse amor-próprio
que conduz à verdadeira humildade e liberdade. Reflita
sobre estas palavras, pois escondem um grande tesouro para
os Tipos 2 e para todos os que procuram conhecer-se, além
das Traços:
"Na realidade, a causa secreta de todas essas reações
reside no fato de que não somos donos de nós
mesmos e tampouco possuímos um verdadeiro amor-próprio.
O amor-próprio é uma grande coisa. Se o amor-próprio,
tal qual o consideramos habitualmente, é uma coisa
repreensível, o verdadeiro amor-próprio, que
infelizmente não possuímos, é desejável
e necessário.
O amor-próprio é o indício de uma alta
opinião de si mesmo. O fato de um homem ter esse amor-próprio
mostra o que ele é.
Como já dissemos, o amor-próprio é 'um
representante do diabo'; é nosso pior inimigo, o freio
principal às nossas aspirações e realizações.
O amor-próprio é a principal arma do 'representante
do inferno'.
Mas o amor-próprio é um atributo da alma. Através
do amor-próprio pode-se entrever o espírito.
O amor-próprio indica e prova que o homem é
uma parcela do 'paraíso'. O amor-próprio é
Eu, e Eu é Deus. Por conseguinte, é desejável
ter um amor-próprio.
O amor-próprio é inferno, e o amor-próprio
é paraíso. Ambos têm o mesmo nome; exteriormente
são semelhantes, e no entanto, totalmente diferentes
e opostos em sua essência. Mas se olharmos superficialmente,
poderemos olhá-los durante toda a nossa vida, sem nunca
distingui-los um do outro. De acordo com uma sentença
muito antiga, Aquele que tem amor-próprio está
a meio caminho da liberdade. Entretanto, se tomamos aqueles
que estão aqui, cada um está com inflado amor-próprio.
E, apesar do fato de transbordarmos de amor-próprio,
não obtivemos ainda a menor nesga de liberdade.
Nossa meta deve ser ter amor-próprio. Se tivermos
amor-próprio, só por isso estaremos livres de
uma porção de inimigos. Poderemos até
nos tornar livres daqueles inimigos principais – o Senhor
Amor-Próprio e a Senhora Vaidade."
É preciso mais algum comentário? Acho que não,
certo? |